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Carreira4 de novembro de 2026

Tenha calma, que vai dar certo

Um rapaz me perguntou quando ia ficar rico. A resposta que eu dei tem três décadas dentro, e a parte mais importante dela cabe em duas palavras.

carreira · 4 de novembro de 2026

JulianoCustodioCEO da EQI Investimentos · 2 minutos de leitura

Um rapaz novo me perguntou, com pressa na voz, quando ele ia ficar rico. Eu reconheço a pressa porque já tive a mesma. Dos vinte aos trinta anos quase todo mundo faz uma de duas coisas: não faz nada da vida, ou faz besteira por querer resolver tudo rápido demais. Eu fiz a segunda.

Aos dezoito eu passei num concurso de banco e fui consertar computador. Aos vinte e poucos estudava bolsa à noite num grupo de email, consegui um lugar de assistente numa mesa de operações e depois passei um ano e meio vendendo cerveja e refrigerante para supermercado, porque um tio empresário tinha me dito que eu precisava aprender a vender. Nada disso parecia o caminho para ficar rico. Era o caminho para aprender, e eu não enxergava a diferença.

Três décadas, três trabalhos

O que eu vi acontecer com quase todo mundo que conheço é o seguinte. Dos vinte aos trinta a pessoa aprende: trabalha o máximo que aguenta e absorve o máximo que consegue. Dos trinta aos quarenta ela constrói, porque agora tem com o que construir. Dos quarenta aos cinquenta ela colhe. Existem exceções, gente especial que comprime tudo isso em uma década, e eu não sou uma delas.

A minha linha seguiu a regra com um desvio: eu quebrei duas vezes antes de construir. A primeira aos vinte e sete, num escritório que abri em março de um ano em que o mundo desabou em setembro. A segunda aos trinta e três, devagar, ao longo de quatro anos de bolsa caindo, até o dia em que a folha de pagamento saiu de um empréstimo da minha sogra. O blog que virou a empresa de hoje nasceu nesse mesmo ano. Eu construí dos trinta e três aos quarenta e poucos, e a colheita começou depois.

O que a pressa custa

A pressa dos vinte custa caro de um jeito específico: ela troca aprendizado por atalho. O atalho parece progresso porque gera movimento, e movimento sem base foi o que me quebrou em 2008. Eu tinha cliente, tinha escritório, tinha alavancagem, e não tinha a disciplina de parar quando o mercado virou. Isso se aprende com o tempo, ou com a conta.

Se eu pudesse dar uma única dica para quem está começando, seria esta: tenha calma. Tenha calma, que vai dar certo. Na hora certa, dá certo. O trabalho dos vinte aos trinta é ficar pronto. Ficar rico é consequência, e vem depois.

Material educacional e de opinião, escrito por Juliano Custodio. Nada aqui é recomendação de investimento. Os dados têm fonte e data indicadas e podem ter sido revisados pelos órgãos depois da publicação.

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