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Empreender4 de novembro de 2026

O cheque de nove milhões que eu recusei

A decisão mais difícil que tomei à frente da empresa foi dizer não a um dinheiro que resolveria a minha vida. Dezoito meses depois ficou claro por quê.

empreender · 4 de novembro de 2026

JulianoCustodioCEO da EQI Investimentos · 2 minutos de leitura

A pergunta que mais recebo sobre a empresa é qual foi a decisão mais difícil que eu tomei à frente dela. Foi recusar um cheque de nove milhões de reais. O dinheiro vinha em troca de uma extensão de dez anos no contrato que nos prendia ao parceiro da época. Eu e o meu sócio olhamos para aquele número, que resolveria a vida de qualquer um de nós, e dissemos não.

Dissemos não porque achávamos que íamos crescer muito mais do que aquele contrato permitia. Era uma aposta, e aposta se paga caro quando dá errado. Deu certo. Em dezoito meses a empresa triplicou, e fechamos um acordo de duzentos e dez milhões por metade dela.

O que custou o não

Contado assim, parece fácil. Foi difícil de um jeito que o número esconde. Para sair do contrato antigo nós tivemos que recomeçar do zero em várias frentes: trazer cliente por cliente de volta, e convencer quatrocentos assessores a virem conosco sem nenhuma garantia além da nossa palavra. Por quase um ano o trabalho foi esse, e no fim a maior parte veio.

Hoje a empresa é dez vezes maior do que era quando recusamos o cheque. E os mesmos duzentos e dez milhões estão no caixa dela, cinco anos depois, guardados para o dia em que o juro subisse e a dívida dos outros virasse a nossa oportunidade.

A lição que eu tiro disso

A lição que fica é sobre tempo. A gente atrasa as próprias conquistas e os próprios desejos para viver o extraordinário. Nove milhões na mão teriam sido ordinários: bons, merecidos, e pequenos perto do que o atraso rendeu. O extraordinário exige a capacidade de ver um cheque na mesa e deixar ele lá.

Isso vale para quem empreende e vale para quem investe. A diferença entre o que você tem hoje e o que pode ter em dez anos é, quase sempre, a quantidade de vezes que você conseguiu não sacar.

Material educacional e de opinião, escrito por Juliano Custodio. Nada aqui é recomendação de investimento. Os dados têm fonte e data indicadas e podem ter sido revisados pelos órgãos depois da publicação.

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