Existe um tipo de pessoa que passa pela orla de Balneário Camboriú, onde eu moro, com um carro de luxo e o adesivo da própria empresa na lateral. Relógio de ouro no pulso, corrente no pescoço, e um convite para você conhecer o método. Eu vejo isso há vinte anos, e o padrão nunca mudou: quem precisa mostrar tanto está tentando chamar a sua atenção para vender alguma coisa em que nem ele acredita.
O argumento que desmonta qualquer promessa
O investidor mais bem-sucedido da história começou a operar adolescente e passou dos oitenta anos fazendo a mesma coisa. O resultado dele, na média de seis décadas, é o melhor que alguém já conseguiu com paciência, leitura de balanço e disciplina. Agora pense em quem começou há um ano e meio, fez um curso de fim de semana e promete multiplicar o seu dinheiro em meses. Para a promessa ser verdadeira, essa pessoa precisaria estar vencendo, com folga, o maior investidor que já existiu. Eu acho bem difícil.
A matemática vale para qualquer roupagem. Robô que opera sozinho, grupo fechado de sinais, mentoria com resultado garantido, oportunidade que só existe até sexta-feira. Rentabilidade prometida acima da média sem risco declarado é sinal de alerta, e dinheiro fácil não existe. Quando existiu, foi por pouco tempo e para quem entrou primeiro.
Os sinais que eu uso
Alguns sinais me fazem parar de ouvir na hora. O carro e o relógio aparecem antes do argumento. A promessa é de retorno, nunca de método. A urgência é o motivo da decisão. Não existe documento, só depoimento. E quando você pergunta onde o dinheiro fica, a resposta é vaga ou passa por uma conta que não é a sua.
Quem tem dinheiro de verdade raramente conta. Quem conta demais, em geral, está contando para você pagar a conta.
A defesa
A defesa é simples e chata, e por isso funciona. Antes de qualquer decisão, pergunte quem guarda o dinheiro e o que acontece se der errado. Instituição séria responde às duas sem se ofender. Vendedor de ostentação muda de assunto. Se mudar de assunto, você já tem a sua resposta.

