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Arquivo 20144 de novembro de 2026

O investidor bem comportado

Os grandes investidores das histórias de Wall Street são caóticos e visionários. Os que eu vi dar certo por vinte anos são metódicos e um pouco chatos. Texto de 2014, revisto.

arquivo 2014 · 4 de novembro de 2026

JulianoCustodioCEO da EQI Investimentos · 2 minutos de leitura

Existem muitos livros interessantes sobre comportamento e dinheiro, e o assunto é alvo de boa parte dos meus estudos sobre investidores. O que eu notei nos últimos anos é que os investidores bem comportados, metódicos, sistemáticos, organizados, chame como quiser, são os mais bem-sucedidos no longo prazo. É justamente o contrário do que vemos nas histórias sobre os grandes nomes de Wall Street, caóticos, malucos e visionários.

Eu sempre disse que sou muito bom em tomar decisão sem emoção quando o dinheiro é de outra pessoa. Quando é o meu, a luta é bem maior. O maior investidor da história é o exemplo perfeito disso: ele diz que tenta ter medo quando os outros estão gananciosos, e ser ganancioso quando os outros têm medo. Na prática isso significa manter um plano, mesmo quando o plano dói, como no dia em que as ações despencam.

O goleiro que fica parado

Uma vez li um estudo dizendo que goleiros pegariam mais pênaltis se ficassem parados no meio do gol. Pensei na hora que nenhum goleiro seguiria essa estratégia, porque ficar parado parece não fazer nada. Com renda variável acontece o mesmo. A maioria de nós tem uma tendência a acreditar que o investimento vai melhorar, e o medo de parecer idiota por não fazer nada enquanto uma grande oportunidade passa. Pior ainda quando os amigos dizem que é a hora. Mas, na maioria das vezes, se você não tem motivos fortes para entrar, o melhor é não fazer nada.

Assistir ao noticiário sem agir sobre ele

Sou o primeiro a admitir que ler e assistir ao noticiário financeiro é interessante, e às vezes até divertido. Os investidores comportados têm duas abordagens: assistem sem agir, ou ignoram por completo. Eles traçam uma linha entre investir e entretenimento. Podem ver e ler, mas o que veem não muda o plano de longo prazo.

O que eles têm que os outros não têm

Nada disso parece complicado, e mesmo assim a maioria não consegue. Na minha opinião, a diferença é que eles aprenderam, quase sempre com os próprios erros, que existe uma ligação forte entre emoção e comportamento. Não há como garantir que vamos evitar a emoção nas decisões futuras, nem que vamos parar de errar. Mas quem reconhece a ligação consegue evitar se colocar em situações difíceis, ou pelo menos reconhecê-las a tempo.

Olhe ao seu redor. Você conhece alguém particularmente bem comportado quando o assunto é dinheiro, ou qualquer outro? Alguém que soube esperar com paciência o crescimento de um negócio ou o avanço de uma carreira? Talvez eu esteja julgando mal, e talvez não seja possível se comportar bem por tanto tempo. Ainda assim, temos exemplos suficientes de investidores bem comportados para aprender com eles. E isso pode fazer o que parecia impossível se tornar apenas provável.

Se quiser ler dois livros sobre o assunto, indico The Behavior Gap, de Carl Richards, e Rápido e Devagar, de Daniel Kahneman.

Material educacional e de opinião, escrito por Juliano Custodio. Nada aqui é recomendação de investimento. Os dados têm fonte e data indicadas e podem ter sido revisados pelos órgãos depois da publicação.

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